domingo, 10 de março de 2013

Um lanche muito calórico, mas delicioso

Viciada como sou no Masterchef Australia (só mesmo o de Austrália - não há paciência para a arrogância e maldade barulhenta dos americanos... o de Portugal peca por alguma falta de naturalidade), vi um episódio da 1ª série em que Heston Blumenthal - o chef do Fat Duck - ensinava a fazer um hambúrguer com batatas fritas.

Obviamente, não poderia ser um hambúrguer normal com batatas normais. Fiquei a pensar nas batatas, uma vez que não vou nunca encontrar ou ter dinheiro para a carne usada nos hamburgueres... Depois de muitas experiências, Heston chegou à receita perfeita.

Fiz uma maionese que me deixou absolutamente exausta. Uma gema, mostarda, 150 ml de óleo e muita força de braços. Depois de finalizada a emulsão, pus no frigorífico para depois, na hora de servir, pôr uma pitada de sal, endro e pimenta. 


Cortei e cozi as batatas. Pus no congelador. Depois começou a parte complicada. Acertar nas temperaturas do óleo. Apesar de ter comprado um termómetro não contei com o problema de a temperatura do óleo baixar quando se adicionam as batatas, e é por isso possível que não tenham ficado tão estaladiças quanto se pretendia.

Primeira fritura a 130, cor pálida.

Segunda fritura a 180, alguma cor - talvez pudesse ter arriscado deixar mais tempo. Mas com a maionese estavam deliciosas. Um interior suave e um exterior estaladiço, com a intensidade da maionese caseira.

Para a próxima saem melhor ainda :)

sábado, 10 de novembro de 2012

The ultimate comfort food

Almoço no Nood - ramen, evidentemente. Quentinho, picante, com um franguinho suculento, vegetais fresquinhos...


Sobremesa espetacular na Eric Kayser - macaronade de pistacho e framboesas. O receio de se tornar demasiado doce não se confirmou. Estaladiço por fora, aveludado por dentro, doce. Um creme que suavizou a doçura do macaron. Amazing.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Gemelli

One word: overpriced.

Fui finalmente usar o meu cupão Groupon. A chegada não foi muito simpática, chovia, tocámos à campainha e, sem resposta, tocámos outra vez. Ao subir as escadas, um senhor acenou com a cabeça e esperou que eu falasse. Confirmou o nome e disse baixinho: "O cupão?" Levou-nos à mesa, puxou uma cadeira e apontou. Não pretendo fancy treatment mas um "Olá boa noite" ou um "Queiram acompanhar-me" era simpático. Fiquei com a sensação de que o senhor tinha ficado irritado porque não era função dele receber as pessoas, era da senhora que devia estar numa pequena pausa, e foi por isso com certeza que nem sequer se ofereceram para pendurar os nossos casacos. Avante.

"Grana Padano" para entreter o estômago com bom pão e muito bom queijo.

O chef ofereceu um amuse bouche muito interessante. Shot de espinafres e amêndoa e um croquete de porco com molho de cebolinho.

Eu escolhi o risotto de cogumelos e gambas. Era agradável. E "agradável" não é suficiente para um prato de 25 euros. Gambas algo farinhentas, sem aquele toque fresco e limpo, arroz com pouca densidade de sabor para além do queijo e dos cogumelos - deliciosos... Mas não surpreendeu.

O João comeu os cannelloni de massa preta recheados com batata doce e sapateira. Muito bom, massa fresca muito interessante. Falhou por lhe faltar ali um lombinho de sapateira - algo mais carnudo, não desfeito, que apresentasse a textura da sapateira não diluída na batata.

Felizmente ambas as sobremesas eram incríveis, o que salvou um pouco uma noite de expectativas deitadas por terra. "Key lime pie" para o João... Intenso, cremoso, base compacta mas não pesada.

Panna cotta de caril com molho de banana e terrina de chocolate preto. O puré de banana tinha mais qualquer coisa super interessante, a terrina era fantástica, aveludada e intensa, como um bom chocolate preto. Pintas de um molho de chocolate com uma acidez que me levou a crer ter uísque ou qualquer coisa do género. Sobremesa a um mini-mini-passo de ser extraordinária, faltando apenas um bocadito de nada de mais consistência.

Gostei? Sim. Valeu os 35 euros que paguei na Groupon? Sim. Valeu os 79 e picos euros que iríamos gastar se não tivéssemos o cupão? Nem por isso. É sempre triste quando um amuse bouche, pela sua criatividade e sabores, ultrapassa o prato principal.

"Café?"
"Não, obrigada. Era só a potencial conta."
Deixámos uns trocos, só porque o senhor entretanto ficou bem disposto com a resposta e brincou connosco por termos puxado da calculadora para ter a certeza de que não ultrapassavamos os 80 euros que o cupão valia.

sábado, 13 de outubro de 2012

Plano B

Plano A: Gemelli. Primeira visita. Vejo a ementa online, babo-me, anseio por uma sobremesa com toque requintado. Preparo-me mentalmente para parar de trabalhar às 19:15, para sair às 19:30, para arranjar lugar de estacionamento, para andar um pouco a pé e estar no restaurante às 20:30.

Liga a televisão. Claro, tinha de haver uma manif na Assembleia... Telefono a cancelar. O senhor, do outro lado, com um tom de quem já ouviu este motivo mais do que uma vez hoje. Esta crise já me está a chatear.

Plano B: Tutto Combinatto. Não era bem isso que o meu palato desejava, que o meu cérebro já tinha comunicado ao resto do corpo que ia degustar... Mas reduz-se a desilusão do dia.

Canelone para o menino.


Tagliatelle com legumes e bacon para a menina.

Estava muito bom, e eu estou cheia. Mas faltava-me o doce - ainda comi uns M&M de framboesa para ver se o palato descansava, mas continuo a sonhar com um leite creme especial ou algo que o valha...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sobremesa na Cafetaria Mensagem

Ahhh almoços de trabalho! Como gosto :)

Na Cafetaria Mensagem do hotel Altis Belém come-se bem. Hoje comi um risotto de pato com cogumelos que estava bom, mas o que gostei mesmo foi da sobremesa.

Tirar fotografias das sobremesas num almoço de trabalho é certamente pateta, mas o meu bolo de cenoura com nozes e gelado de gengibre estava tão bonito que não resisti. E não era só uma questão de aspecto. O bolo era húmido, a sua intensidade cortada pelas natas e pelo gelado cremoso que complementava um bolo que fica tão bem com especiarias. E um surpreendente biscoito super fino e estaladiço.

Aqui em baixo um creme de leite condensado...

Uma mousse com espuma de morangos (que foi pedida à parte devido à paixão intensa pela mousse). Uma espuma que me soube a marshmallows assados.

E o que era, essencialmente, uma mini bomba do Alaska. Linda, mas que não provei... Porque em almoços de trabalho não se pede para provar!! (só provei a espuma que acompanhava a mousse porque era a sobremesa da minha colega)


Faz-me pensar o que o Feitoria terá a oferecer...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Avenue

Quando se abre um restaurante em plena Avenida da Liberdade, aberto para almoços, tem-se de estar preparado para acolher clientes com pressa. Clientes que trabalham ali ao pé, que têm uma hora de almoço, que querem comer bem mas rápido.

A ementa, cá de fora, tinha bom ar. A decoração do restaurante não mudou quase nada desde os tempos do LA Caffe - que agora partilha o espaço do Tea Room em cima da loja de roupa da Lanidor.

O pão era bom, a manteiga caseira também. Mas o prato demorou mais de meia hora a vir para a mesa... Talvez não me incomodasse num jantar, mas ao almoço não é bem o ideal: quando vier a comida vou ter de a devorar para não me esticar com a hora de almoço.

A pobre rapariga sentiu a nossa impaciência, veio ter connosco - mas não é ela que está na cozinha e nada pode fazer se não "a cozinha pede desculpa pelo atraso" quando finalmente nos serve.

O prato da minha companhia era bom: um arroz quase risotto (e o restaurante defende-se bem ao não o chamar de risotto) com cogumelos e frango recheado com farinheira. Mas nada de especial ou diferente.


O cachaço de porco com migas de espargos prometia... Mas estava tão salgado que não consegui comer tudo.

E estão a ver as folhinhas de rúcula? Gosto muito de rúcula. Comecei a comê-las até que me apercebi que estava qualquer coisa colada a uma delas - parecia um casulo. A Ana agarra na folha e chama a senhora: "Olhe, o que é isto??" "Não sei, mas vou já saber." Vai à cozinha e eu comento: "Aposto que abriram uma embalagem daquelas de supermercado e meteram aqui umas folhas sem sequer lavar." Ponho o resto da rúcula para o lado. "Quer dizer, se estou em casa até sou capaz de não lavar a salada pré-embalada e pré-lavada, mas quando vou a um restaurante..." e pago 13 euros por um prato espero que se dêem a esse trabalho. A senhora volta lá de dentro e assegura que era uma sementinha que vinha no saco porque a rúcula vinha na mesma embalagem que a alface e tal, garantindo que não é sujidade. Pois.

Pobre rapariga, a dar a cara pela cozinha. Trabalho ingrato.

Não foi uma experiência negativa, mas positiva também não foi...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Trattoria

Há muitos anos queria experimentar o Trattoria - bom ar e, diziam-me, caro, o que poderia ser um indício de qualidade. Finalmente apareceu um desconto no Goodlife: paguei 39€ para uma refeição de 78€. Not bad...

Quando cheguei ao restaurante vi que tinham imensas promoções (por exemplo, às segundas-feiras duas pizzas pelo preço de uma) e portanto não tenho a certeza se chegaria aos 78€. Pareceu-me acessível.

Começámos com o Tartare di Salmone e Avocado, o salmão cozinhado pelos sucos da lima e, não surpreendentemente, delicioso.


A Bruschetta Gourmet era muito interessante, com uma combinação que nunca tinha experimentado e que é facilmente reproduzível em casa: grelos salteados, ovos de codorniz e azeite de trufa branca.


O João pediu uma Lasagna que me pareceu normal, com a excepção de a massa ser muito fininha. A foto está muito desfocada, mas fica-se com uma noção do tamanho da dose.


Depois de tanto ver a receita do Gordon Ramsay, finalmente provei um Beef Wellington!! Absolutamente extraordinário. Carne tenra, saborosa, cogumelos, alho, massa estaladiça... Acompanhada de cogumelos recheados com queijo de cabra (ou o que me pareceu ser queijo de cabra) e uma salada de rúcula e tomate. Inesquecível.


Infelizmente, a sobremesa foi muito fraca. Estava indecisa entre o chiffon de chocolate, a panna cotta e a tarte de limão. Acabei por escolher a nata cozida, com a ajuda da empregada de mesa - e foi um erro. Para mim a panna cotta deve ser leve, aveludada, suave embora consistente. Mas esta era demasiado firme e tinha uma inovação dispensável: amêndoas misturadas na própria nata. Note-se que só comi metade da sobremesa... (!!)


O tiramissú era bastante melhor - mas ainda assim diria que o mais fraco da refeição. Não se pode ter tudo!