sábado, 21 de abril de 2012

Mais um com batata doce

Desde que descobri a utilização da batata doce em pratos principais - antes só tinha comido em sobremesas - no supermercado quando me deparo com batatas doces fico sempre a imaginar o que vou fazer a seguir.

Gosto da ideia de tornar pratos deliciosos, contrastando o doce com os restantes elementos do prato... E tem um índice glicémico muito mais baixo do que o da batata comum!

Tirei algumas ideias do youtube e refoguei meia cebola e um dente de alho. Juntei alguns tomates-cereja cortados em quartos. Depois adicionei meia batata doce cor-de-laranja cortada em cubos pequenos, para que a cozedura fosse mais rápida. Especiarias: gengibre, canela, pimenta preta, cayenne (para variar um bocadinho, abusei na quantidade!), caril, açafrão e sal (não vale a pena pôr muito com tantas especiarias). Pus um bocadinho de leite e fui pondo água a ferver à medida que me pareceu demasiado seco.



Entretanto pus cuzcuz numa tacinha, cobri com água a ferver e tapei. No final, misturei alguns coentros. É melhor não pôr sal aqui, nem caldo de vegetais ou de carne em vez de água - os sucos da batata doce dão sabor suficiente.



Vinte minutos depois com o tacho tapado, indo mexendo de vez em quando para verificar se precisava de água, juntei espinafres à batata doce. Bastam 30 segundos para o prato ficar pronto.

Ficou muito bom, mas tive de terminar a refeição com uma pinguinha de leite para acalmar o fogo da pimenta cayenne!




sexta-feira, 23 de março de 2012

Avillez e o seu Belcanto

Já há um par de meses que queria ir ao Belcanto... Mas o preço impediu-me. Nada com a assinatura José Avillez é barato e, sendo verdade que não testei a sua cozinha no Tavares, não o é por algum motivo. Com a excepção da Empadaria do Chef, que não tem motivo nenhum para apresentar empadas a mais de 5 euros mesmo considerando o tamanho e a utilização de bons ingredientes.

Comecei por ir ao Cantinho do Avillez que não é estupidamente caro. É acessível para a classe média, para um almoço de vez em quando. Foi aí que provei vieiras na frigideira com cogumelos e batata-doce de Aljezur, o meu irmão comeu atum grelhado com legumes e emulsão de soja e gengibre e o meu namorado hambúrguer de Barrosã DOP com cebola caramelizada e foie gras. Tudo delicioso, cozinhado no ponto, temperado na perfeição e com ingredientes de grande qualidade. Desde então sonhamos com as batatas fritas extraordinariamente estaladiças.

Depois experimentei as empadas (parece que abriu um restaurante novo no Campo Pequeno) mas não vou perder tempo com descrições. Boas empadas que certamente dão um lucro abismal, porque não valem nem de perto nem de longe o que pedem por elas.

Tive de esperar pelas minhas férias para ir ao Belcanto, porque os menus mais em conta (entrada+prato+sobremesa=35€) só estão disponíveis aos almoços dos dias de semana. Ir jantar ou ir ao fim de semana significaria gastar 60 ou 70 euros, sem contar com as bebidas. E ir a um restaurante assim quando se tem pressa para voltar para o escritório não vale a pena.

Ter de bater à porta para entrar é ligeiramente intimidante, mas a recepção simpática e sem demasiadas formalidades anula este efeito. A decoração é sofisticada - o toque da "biblioteca" onde os livros ou imitações de livros delineiam a frase "para ser grande sê inteiro" (Ricardo Reis) é particularmente bonito.

Escolhi pão tipo "cinnamon roll" mas de azeitona e broa, que era húmida e suave. Manteiga normal, manteiga de noz em forma de noz e outra que me pareceu de trufa, mas para ser honesta não tenho a certeza - não como trufa vezes suficientes para distinguir o sabor.

Ofereceram-nos a interpretação do chef de bacalhau com grão. Um hóstia com um grão tostado, uma gelatina misteriosa, sal e açafrão. A apresentação suscita curiosidade, a prova é uma surpresa - a gelatina é uma explosão de mar. Para mim, um bocadinho salgado demais... Mas inovador.

Passamos às entradas - o meu irmão comeu cavala com pasta de topinambo (sim, eu também nunca tinha ouvido falar) e pão torrado. A diferença que faz comer peixe de qualidade bem arranjado...

Eu escolhi a sopa de castanhas com foie gras. Detesto patês e fígados em geral mas gosto muito de foie gras em pequeníssimas quantidades - por dentro nasci rica, mas esqueceram-se de transpor esta característica para o mundo físico. Suave, aveludada, deliciosa.

Pratos principais: cabrito tenro com pele tostadinha e grelos temperados com rosmaninho para o mano; bife à marrare para a mana estaladiço por fora, manteiga por dentro (sim, fui um bocadinho quadrada na escolha, eu sei - mas não me apetecia os outros pratos disponíveis no menu de 35€). Batatas fritas estaladiças: check! 


Sobremesas: bolo húmido de chocolate com frutas (manga, kiwi, ananás), sorvete de manga (stunning) e o que me soube a baba de camelo. Muito bom - mas para mim podia ter mais bolo. Para o mano: queijo tipo serra com o que podemos chamar de carpaccio de broa tostada. Incrível como conseguem cortar a broa tão fina sem que se desfaça.




Os pratos em si, todos diferentes, eram muito interessantes e conferiram personalidade a toda a refeição, da entrada ao café.

É certo que os menus mais baratos não têm pratos que surpreendam imenso, mas o efeito surpresa estará com certeza em menus tais como o Menu do Desassossego (75€), que pretendo experimentar daqui a uns tempos se a economia não me arruinar os sonhos gastronómicos.

Um restaurante com novas interpretações de pratos tradicionais, com ingredientes de grande qualidade - um mimo especial que valeu bem a pena.


domingo, 6 de novembro de 2011

O que almoçamos?

Hora de fazer o almoço. A única proteína pronta a cozinhar que tinha: escalopes de novilho. Sem vontade de comer uma coisa simplesmente simples, como escalopes grelhados com salada, pus-me a pensar no que fazer. Falei com o meu mano para ver se se fazia luz, e fez-se. Ele sugere prego gourmet. Não tenho pão, mas... Gourmet?, penso eu. Tenho visto hambúrgueres gourmet e levam todos cebola e fois gras... Fez-se luz.

Abri o congelador e a primeira coisa que vi foi couve-de-bruxelas. Certo, não é coisa de que goste muito, mas estava no supermercado e achei que devia variar um bocadinho. Cozi com sal alguns minutos e retirei, passando por água fria e depois cortando em metades.

Para o caso de a couve-de-bruxelas sair muito mal, decidi fazer batata - porque raramente se erra com batata. Cortei uma batata grande ao comprido e cozi com sal. Escorri, reguei levemente com azeite e fui à minha horta buscar tomilho. Grelhei.

Numa frigideira, salteei cebola roxa em azeite aromatizado com alho. Depois de translúcida, reguei com vinho do porto branco e deixei apurar. Adicionei um pouco de vinagre balsâmico, uma noz de manteiga e juntei finalmente as couves-de-bruxelas para caramelizar. A cebola adocicada ficou estaladiça aqui e ali, as couves-de-bruxelas perderam a amargura... Nice...

Grelhei os escalopes durante breves minutos e servi. Sempre é mais interessante do que bife grelhado com salada. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Chili vegetariano

Após sugestão de uma alma gastronomicamente mais culta, subscrevi o site Gojee onde me tenho deliciado com imagens de doces e salgados que nunca chego a fazer porque não tenho grande pachorra para planear refeições e comprar os ingredientes para um prato específico.

Recebi hoje no email mais uma sugestão deste site e fez-se luz. Podia aproveitar as batatas doces que tinha há 3 semanas na despensa. Feijões tenho sempre. Pimentos e cebola roxa... Bem, precisava de ir ao supermercado de qualquer modo.

O prato é reconfortante. Tem sabores intensos. Tem cores de encher a barriga. Aquece, delicia. Ainda por cima, é saudável.

A receita está aqui e a única coisa que fiz de diferente foi reduzir quantidades, usando uma só lata de feijão (escolhi encarnado), adicionando ainda pimento amarelo. No topo, coentros e rabanetes. Para acompanhar, pão chapata torrado.






quinta-feira, 30 de junho de 2011

Bolo de velulo vermelho e baunilha para o João

Manias que surgem depois de ver o Cake Boss... Fiquei com vontade de fazer um bolo de veludo vermelho. Procurei receitas e acabei por me decidir pela receita de bolo de chocolate que faço habitualmente, acrescentando apenas corante vermelho.

Dividi a massa por três formas iguais. Quando saíram do forno, os bolos estavam tão baixinhos (talvez o corante tire a fofura do bolo... Talvez seja por isso que recomendam desfazer o fermento em vinagre, coisa que não cumpri!) que achei melhor fazer outro bolo, desta vez de baunilha. A massa foi vertida numa só forma e, depois de arrefecer, cortei o bolo em duas metades. Tudo para reduzir o trabalho de ter de lavar mais uma forma.

O creme é de mascarpone - bastou comprar o queijo e adicionar uma gema e açúcar em pó. Creme e morangos cortados em cada camada et voilá!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Biscoitos de mel e limão

Para pôr fim a uma curto período de infelicidade causado por uma digestão mal feita que me levou a ficar cara a cara com a grande Porcelana Branca e consequente cuidado com os alimentos ingeridos, decidi fazer uns biscoitos de mel e limão para imitar os que costumo comprar na Sabores e Delícias das Colinas do Cruzeiro.

Uma busca rápida no google levou-me à base da receita, que alterei (como quase sempre altero as receitas).

320gr farinha
160gr margarina
1 ovo
mel, a olho
fermento, a olho
20gr açúcar mascavado escuro
80gr açúcar amarelo
casca raspada e sumo de meio limão

Misturei tudo garantindo que a margarina, trabalhada a temperatura ambiente, ficasse bem integrada na mistura. Com a ajuda de uma colher de sopa, pus a massa no tabuleiro forrado a papel vegetal - deu para 18 biscoitos. Espalmei a massa (que não fica estendível, mas sim muito pegajosa) com a ajuda de um garfo enfarinhado para ficar com uma forma mais arredondada. Pus no forno a 200º e tirei assim que vi o fundo ficar dourado.

São muito bons mas nem vale a pena pôr aqui uma foto porque não primam pela beleza - alas não se pode ter tudo!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Broas de Erva Doce

Novembro. Numa pequena vila - ou será aldeia, ou povoado, ou lugar, ou lugarejo? - miúdos batem à porta e gritam nas suas vozes estridentes e ansiosas: Pão-por-Deus! 

É verdade que este pedido se traduzia em doçaria variada e até em moedinhas para os miúdos conhecidos. Mas o que eu gostava mesmo nessa tradição era da broa. Um pouco como a tradição das rabanadas no Natal, toda a gente dava broas de Todos os Santos a toda a gente. Troca por troca, no final do dia cada um tinha mais ou menos a quantidade com que tinha começado.

Quando vejo rabanadas lembro-me sempre de um episódio de Natal de uma série portuguesa (possivelmente da época do Duarte e Companhia), em que havia uma mulher que trabalhava numa oficina. A actriz até é conhecida, loira... Mas só me consigo lembrar da Ivone Silva e não é ela! Enfim... Tanto lhe ofereceram rabanadas que no final havia uma pirâmide. Zoom out e lá estava o Coro de Santo Amaro de Oeiras a cantar A Todos um Bom Natal. Ou será que era simplesmente um programa especial de Natal e não uma série? Que frustração não me lembrar!

Mas voltemos às broas. Tinha ali pinhões e apetecia-me trincar qualquer coisa (doce mas não demasiado)... Depois de alguma luta interna, decidi-me por broas e fui à caça de uma receita. Adaptei daqui e voilá:

250gr farinha
125gr açúcar amarelo
1 ovo
1 colher de sopa de óleo
fermento qb
leite qb
canela, noz moscada, cravinho, erva doce e raspa de limão a gosto
pinhões