sábado, 13 de outubro de 2012

Plano B

Plano A: Gemelli. Primeira visita. Vejo a ementa online, babo-me, anseio por uma sobremesa com toque requintado. Preparo-me mentalmente para parar de trabalhar às 19:15, para sair às 19:30, para arranjar lugar de estacionamento, para andar um pouco a pé e estar no restaurante às 20:30.

Liga a televisão. Claro, tinha de haver uma manif na Assembleia... Telefono a cancelar. O senhor, do outro lado, com um tom de quem já ouviu este motivo mais do que uma vez hoje. Esta crise já me está a chatear.

Plano B: Tutto Combinatto. Não era bem isso que o meu palato desejava, que o meu cérebro já tinha comunicado ao resto do corpo que ia degustar... Mas reduz-se a desilusão do dia.

Canelone para o menino.


Tagliatelle com legumes e bacon para a menina.

Estava muito bom, e eu estou cheia. Mas faltava-me o doce - ainda comi uns M&M de framboesa para ver se o palato descansava, mas continuo a sonhar com um leite creme especial ou algo que o valha...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sobremesa na Cafetaria Mensagem

Ahhh almoços de trabalho! Como gosto :)

Na Cafetaria Mensagem do hotel Altis Belém come-se bem. Hoje comi um risotto de pato com cogumelos que estava bom, mas o que gostei mesmo foi da sobremesa.

Tirar fotografias das sobremesas num almoço de trabalho é certamente pateta, mas o meu bolo de cenoura com nozes e gelado de gengibre estava tão bonito que não resisti. E não era só uma questão de aspecto. O bolo era húmido, a sua intensidade cortada pelas natas e pelo gelado cremoso que complementava um bolo que fica tão bem com especiarias. E um surpreendente biscoito super fino e estaladiço.

Aqui em baixo um creme de leite condensado...

Uma mousse com espuma de morangos (que foi pedida à parte devido à paixão intensa pela mousse). Uma espuma que me soube a marshmallows assados.

E o que era, essencialmente, uma mini bomba do Alaska. Linda, mas que não provei... Porque em almoços de trabalho não se pede para provar!! (só provei a espuma que acompanhava a mousse porque era a sobremesa da minha colega)


Faz-me pensar o que o Feitoria terá a oferecer...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Avenue

Quando se abre um restaurante em plena Avenida da Liberdade, aberto para almoços, tem-se de estar preparado para acolher clientes com pressa. Clientes que trabalham ali ao pé, que têm uma hora de almoço, que querem comer bem mas rápido.

A ementa, cá de fora, tinha bom ar. A decoração do restaurante não mudou quase nada desde os tempos do LA Caffe - que agora partilha o espaço do Tea Room em cima da loja de roupa da Lanidor.

O pão era bom, a manteiga caseira também. Mas o prato demorou mais de meia hora a vir para a mesa... Talvez não me incomodasse num jantar, mas ao almoço não é bem o ideal: quando vier a comida vou ter de a devorar para não me esticar com a hora de almoço.

A pobre rapariga sentiu a nossa impaciência, veio ter connosco - mas não é ela que está na cozinha e nada pode fazer se não "a cozinha pede desculpa pelo atraso" quando finalmente nos serve.

O prato da minha companhia era bom: um arroz quase risotto (e o restaurante defende-se bem ao não o chamar de risotto) com cogumelos e frango recheado com farinheira. Mas nada de especial ou diferente.


O cachaço de porco com migas de espargos prometia... Mas estava tão salgado que não consegui comer tudo.

E estão a ver as folhinhas de rúcula? Gosto muito de rúcula. Comecei a comê-las até que me apercebi que estava qualquer coisa colada a uma delas - parecia um casulo. A Ana agarra na folha e chama a senhora: "Olhe, o que é isto??" "Não sei, mas vou já saber." Vai à cozinha e eu comento: "Aposto que abriram uma embalagem daquelas de supermercado e meteram aqui umas folhas sem sequer lavar." Ponho o resto da rúcula para o lado. "Quer dizer, se estou em casa até sou capaz de não lavar a salada pré-embalada e pré-lavada, mas quando vou a um restaurante..." e pago 13 euros por um prato espero que se dêem a esse trabalho. A senhora volta lá de dentro e assegura que era uma sementinha que vinha no saco porque a rúcula vinha na mesma embalagem que a alface e tal, garantindo que não é sujidade. Pois.

Pobre rapariga, a dar a cara pela cozinha. Trabalho ingrato.

Não foi uma experiência negativa, mas positiva também não foi...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Trattoria

Há muitos anos queria experimentar o Trattoria - bom ar e, diziam-me, caro, o que poderia ser um indício de qualidade. Finalmente apareceu um desconto no Goodlife: paguei 39€ para uma refeição de 78€. Not bad...

Quando cheguei ao restaurante vi que tinham imensas promoções (por exemplo, às segundas-feiras duas pizzas pelo preço de uma) e portanto não tenho a certeza se chegaria aos 78€. Pareceu-me acessível.

Começámos com o Tartare di Salmone e Avocado, o salmão cozinhado pelos sucos da lima e, não surpreendentemente, delicioso.


A Bruschetta Gourmet era muito interessante, com uma combinação que nunca tinha experimentado e que é facilmente reproduzível em casa: grelos salteados, ovos de codorniz e azeite de trufa branca.


O João pediu uma Lasagna que me pareceu normal, com a excepção de a massa ser muito fininha. A foto está muito desfocada, mas fica-se com uma noção do tamanho da dose.


Depois de tanto ver a receita do Gordon Ramsay, finalmente provei um Beef Wellington!! Absolutamente extraordinário. Carne tenra, saborosa, cogumelos, alho, massa estaladiça... Acompanhada de cogumelos recheados com queijo de cabra (ou o que me pareceu ser queijo de cabra) e uma salada de rúcula e tomate. Inesquecível.


Infelizmente, a sobremesa foi muito fraca. Estava indecisa entre o chiffon de chocolate, a panna cotta e a tarte de limão. Acabei por escolher a nata cozida, com a ajuda da empregada de mesa - e foi um erro. Para mim a panna cotta deve ser leve, aveludada, suave embora consistente. Mas esta era demasiado firme e tinha uma inovação dispensável: amêndoas misturadas na própria nata. Note-se que só comi metade da sobremesa... (!!)


O tiramissú era bastante melhor - mas ainda assim diria que o mais fraco da refeição. Não se pode ter tudo!

sábado, 30 de junho de 2012

33

Parabéns João :)

Bolo de iogurte com creme de mascarpone e raspas de lima, coberto com creme de chocolate 70%, raspas de chocolate branco estupidamente colocadas quando o creme de chocolate preto ainda estava morno, criando um efeito tagliatelle, e raspas de limão.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Restaurante da Casa da Música

Último dia de férias no Porto e a única coisa que queria fazer era ir comer um gelado à Sincelo, mas diz o Lifecooler que fecha às segundas! Mudança de planos e escrevo no Google "turismo Porto" para me dar ideias. Descubro que a Casa da Música tem um restaurante, que até tem bom ar. E pagámos 56,50 euros no total - nada má relação qualidade-preço.

O João escolheu o menu gourmet com entrada, prato e sobremesa. Começou com uma trilogia de salmão com molho de mostarda doce. O tártaro era interessante, com pickles de couve-flor ; o tataky era bom mas sem surpresas ; e o mil folhas tinha uma massa suave e alcaparras - o meu preferido dos três. O peixe tinha um bom corte.


Eu escolhi um crocante de queijo de cabra com courgette e doce de figo. É verdade que havia entradas ou petiscos mais interessantes e fora do vulgar - mas eram mais caros. Para mim, o toque da courgette, mais do que o doce de figo, foi o que fez o prato destacar-se. A massa era fina e estaladiça (sem ser filo), o agrião estava bem temperado, o queijo aveludado. A courgette ali no meio: invulgar.


Lombo de novilho com caviar de beringela, flan de polenta e foie gras com espinafres salteados e molho de vinho tinto. Carne tenrinha. Não sei bem de onde veio o termo "caviar" mas a pasta de beringela complementava muito bem o prato, e o foie gras combinava na perfeição com a polenta.


O meu prato era muito bom mas a letra causou desilusão. Afinal, eu escolhi atum em crosta de pistáchio e gergelim, chutney de tomate e raiz de lotus... E não senti pistáchio em lado nenhum. Aliás, duvidei até ao fim que o atum tivesse sequer vislumbrado pistáchio, pensando até que talvez o chef não tivesse encontrado no mercado e se tivesse ficado pelo sésamo. Mas esclareceu a menina, como se gosta de dizer aqui no Porto, que era pó de pistáchio misturado com o "guerguelim" (sim, fiz um esforço para a não corrigir). Não duvido que lá estivesse, mas convenhamos que o sésamo tem um sabor intenso e que deveriam então ter colocado mais pistáchio e menos sésamo para eu conseguir saborear o fruto seco, que era o que lhe dava o toque invulgar... Mas avante! Dois espargos bem cozinhados, raiz de lotus estaladiça e polvilhada levemente com açúcar em pó e um chutney bom mas um pouco doce demais, acabando por se tornar enjoativo. Atum cozinhado na perfeição, se bem que o corte podia ser um bocadito de nada melhor.


Suspiro de chocolate com ganache de avelã e ameixa glaceada, gelado de maracujá e coulis de beterraba. Adoro suspiros e fui-me a eles até porque o João não gosta da textura, que o faz lembrar esferovite. Ganache deliciosa, ameixa firme... Muito bom.


Depois de uma breve indecisão, em que descartei o crepe de pistáchio com receio de seguir a tendência do atum, escolhi o crumble de morangos e pêra com gelado de especiarias - a grande surpresa do almoço. Açafrão, caril, canela... Um sabor forte que me deliciou até ao final e até me fez esquecer que não provei pistáchios.


Serviço simpático, competente, não-chato e saio do Porto com vontade de voltar.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

The Yeatman

O karma existe. Tenho provas. Trabalhar muito e bem compensa. Ganhei uma espécie de prémio "empregada do trimestre" e ofereceram-me uma experiência. Eu podia ter passado a semana inteira num sítio barato, mas o que eu queria era fazer uma coisa que não me permito fazer no dia a dia. Portanto, marquei uma noite e uma refeição de luxo para dois no Yeatman, em Gaia.


Chegada ao hotel. Envio uma foto ao meu chefe: 
I suddenly feel the need to work harder when I get back to win another thank you award.


O hotel em si é espantoso, uma garrafeira enorme (não fosse o Yeatman um hotel vínico), cada piso seguindo um tema e funcionando quase como museu (um piso com mapas do século XVI, outro com a história do vinho do porto,...), quartos virados para o rio, confortáveis e temáticos também, cada um "patrocinado" por uma marca de vinhos portuguesa. O hotel é lindo e vale a pena perder tempo a percorrer os corredores para ver a arte.

Passámos a tarde na piscina interior, vimos de longe o ginásio bem apetrechado, recebemos uma massagem de mãos (oferta), fomos beber qualquer coisita ao bar. Às nove sentámo-nos no restaurante, onde degustámos A Grande Experiência Yeatman. Para quem aprecia muito vinhos e sabe degustá-los, há um suplemento de vinho para cada prato. Nós pedimos conselhos à escanção e ficámo-nos por dois copitos. O João adorou o Quinta da Romaneira Reserva 2008 (tinto).

Vou ser clara. A estrela Michelin é merecida. Alguns elementos não eram para mim, porque não aprecio moluscos ou bivalves em geral (excepto vieiras!), mas reconheço que a confecção era impecável, as texturas suaves.

Começámos com as boas-vindas do chef. No pote uma mousse de percebes, na colher um mexilhão, uma terrina, rabo de boi, foie gras com pele crocante de frango. Estrela: macaron de morcela. O doce do macaron contrastava com o salgado... Incrível.

Lamento informar que falhei e não fotografei a segunda boa-vinda: um jardim. Um copo que tinha "terra", "ervas", legumes e... um caracol. Devo ter ficado tão abalada com a visão, e simultaneamente impressionada com os "tomates" do chef Ricardo Costa, que me esqueci de pôr a máquina a funcionar. Foi o único elemento de toda a refeição que não provei: comi o jardim, deixei o bicho para o João.

Seguiu-se o camarão do Algarve marinado, sorvete de yuzu e caldo de pepino. Três texturas (marinado, o camarão inteiro e um carpaccio) num prato simples que continuou a fazer-me sorrir, principalmente quando fiz explodir a esfera branca e pude molhar o marinado no que parecia ser uma nata ligeira.

Uma explosão de sabor com o suculento lavagante nacional glaceado com caldo de ostras acompanhado com uma terrina surpreendente de enguia e foie gras e um torresmo.

Uma alegre e "fofinha" salada especial de vieiras, carabineiro e salmonete. Cheia de legumes pequeninos pequeninos, al dente, com um dos meus ingredientes favoritos (vieiras!). Potencialmente o meu favorito.

Cherne sautée com crosta de tomate, lula recheada e molho de manjericão. Uma crosta salgada e forte, peixe suculento, uma polenta suave quase em textura de pudim, um torresmo de pele de peixe, funcho.

A primeira SURPRESA do chef, um prato que não estava no menu e recriando um prato tradicional: ervilhas com ovos! Ovo escalfado lentamente com puré de ervilhas (e algumas ervilhas al dente), espuma de espargos e pancetta estaladiça. Não sou super fã desta textura de ovo por isso não raspei o prato, mas fiquei boquiaberta com esta inovação.

Um lombinho de vitela com pimentas, ravioli de aves e molho de pistáchios. Outro elemento que adoro: pistáchios. Um ravioli muito interessante, um cogumelo que nunca tinha visto na vida e quase parecia uma mini-trufa. Tinha uma textura que me incomodou levemente, mas o sabor era incrível.

Ganache de foie gras de Landes com gelado de iogurte salgado e brioche trufado. Gosto de foie gras mas em pequenas quantidades como complemento de outro ingrediente. Este prato era um pouco forte demais para mim e passei-o ao João ao fim de algumas colheradas (ele não se importou nada e era capaz de fazer uma refeição só daquilo). Ganache suave, leve, aveludada, com uma fatia para contrastar...

A segunda SURPRESA do chef, pré-sobremesa. Um prato de queijo. O triângulo era pão tipo brioche, muito delicado, a meio uma tostinha de pão com azeitonas, um queijo forte amenteigado, um queijo suave quase em creme, cubos de abóbora e... Suspiros. É verdade. Mudou tudo - estava ali a estrela.

A sobremesa: uma esfera de chocolate, mousse de tangerina e caldo de côco. Pétalas de flores que complementavam a mousse e tudo complementava a esfera, inclusivamente o vinho do porto vintage que me sugeriram.

Uma recriação espantosa de um clássico porque a esfera... Era uma bomboca!

Para terminar, para acompanhar a infusão do chef e o café, mignardises. E uma grande felicidade por o João estar a abarrotar e só comer uma delas. Crocante de chocolate, crocante de amêndoa (ou outro fruto seco - o meu palato já não se recorda!), o quadrado era uma quase gelatina, ganache, macarron.

Só tive pena de não ficar mais tempo para ir à piscina, para ir ao spa, ao ginásio, à garrafeira, para ficar sem fazer nada na varanda do quarto a olhar para o Douro. Para ir provar outras coisas ao restaurante.