domingo, 17 de maio de 2015

Eh pá... Mas não me apetece sopa...

Há muitas vantagens em receber cabazes de legumes e frutas em casa - no meu caso do Mercado Saloio. A desvantagem é que nem sempre apetece comer o que há.

Desta vez veio o agrião e só costumo fazer uma coisa com ele, sopa. Com este calor, não apetece. Fui ao Youtube ver receitas e só me apareciam bolos de agrião e, como estou a abusar nos gelados, achei que era melhor não engolir mais açúcar.

Lembrei-me então de fazer uma farinata com agrião. Segui a receita do blog Food Wishes (altamente recomendável, que mais não seja pelo humor do Chef John) que já fiz algumas vezes antes só que em vez de juntar só a água, triturei agrião com a água (fiz a olho, mas acho que adicionei um bocadinho mais do que diz na receita) antes de juntar a mistura à farinha de grão e de mexer tudo muito bem com um batedor de varas.

Fica muito bom e sempre é uma maneira diferente de comer vegetais!

"And, as always, enjoy!"



domingo, 26 de abril de 2015

A experiência sem trigo

Há uns anos, andei a ler uns artigos e decidi experimentar cortar no glúten. Não consegui cortar, mas reduzi e soube logo que seria mais fácil perder peso - que mais não fosse por não comer pão, bolachas e massas como se não houvesse mais nada para comer no mundo. Mas desisti de fazer o esforço.

Anos depois, novamente com peso a mais, fui a uma nutricionista clínica. Fui brutalmente honesta no relato do que comia - aí já tinha aprendido que o primeiro passo para conseguir manter um peso saudável era ser honesta comigo mesma e com os outros quanto ao que comia - e a senhora fez muito poucas alterações. Aumento de ingestão de proteína, mais legumes e menos hidratos. Aumentar o cardio no ginásio. E se eu quisesse melhores resultados, ou fazer a dieta 5-2 (jejum intermitente) ou cortar o glúten. Escolhi o segundo e tive bons resultados. Mas desisti outra vez.

Acho que desisti porque estava a ser demasiado rígida. Comia como se fosse celíaca e isso restringia muito o menu em restaurantes. Em pastelarias, só podia beber. Adoro comer, adoro cozinhar, adoro sobremesas elaboradas... E não comer absolutamente nada disso era deprimente.

Recentemente, depois de ler Wheat Belly (Dr. William Davis), decidi tentar novamente (aconselho vivamente a ler para aprender mais sobre o impacto do trigo na saúde - por exemplo o papel na diabetes e nas doenças neurológicas). Mas adoptei uma postura mais relaxada para não desistir. Estou simplesmente a tentar ser mais saudável, sendo que cortar no trigo obriga-me automaticamente a ser mais criativa e a incluir mais vegetais na dieta. Até encomendei um cabaz do Mercado Saloio para não me escapar.

Há pratos que tradicionalmente levam trigo como o tabouleh e que podemos fazer com outro cereal sem glúten como aqui com trigo sarraceno (ficaria lindamente com quinoa, hummm).

Como aveia e preocupo-me pouco que esteja contaminada com glúten (é muito mais barato do que comprar sem...). Ponho coisas diferentes para ficar mais interessante, até já arrastei o marido para o ritual a que chamei Pimp My Oats!

Se comer algo com molho que desconfio ter trigo para engrossar, não fico preocupada. Como doces à mesma. Se não comer sei que não me aguento muito tempo (não física, mas emocionalmente). Este foi um bolo com flocos de trigo sarraceno, amêndoa e chocolate.

E fazem-se boas sobremesas tradicionais sem cereais à vista.

Os snacks podem ser frutos secos ou sementes/barras de sementes em vez de bolachas. O índice glicémico (IG) é baixinho e acompanhado de um chá enche perfeitamente o estômago até à próxima refeição.

Comecei a 2 de Março com 63,8 quilos, a 20 de Abril tinha 61,5 apesar de continuar a portar-me mal no campo do açúcar e de ter comido mais batatas fritas do que devia.

Cortar no trigo tem a vantagem de começarmos a comer mais de outras coisas - frutas, vegetais, sementes, frutos secos - e de termos menos apetite, o que ajuda a reduzir as porções. Porque é que há uma redução do apetite? O trigo que consumimos todos os dias é altamente processado e perdeu a maior parte da fibra que ajudaria a digerir os açúcares naturais - tem, portanto, um IG elevado (é também por este motivo que se desaconselha sumos de frutas, porque se perde a fibra). Substituindo por outros alimentos de IG baixo estabilizamos a glicemia, não sofrendo picos de fome. O Dr. Davis fala também de problemas a nível neurológico que imitam os efeitos de habituação das drogas pesadas.

Para os cépticos, há uma solução simples. Experimentar (um mínimo de 4 semanas). Se não funcionar, então venham daí o pão e as massas e as bolachas. Mas se houver um mal estar físico constante e uma dificuldade enorme em perder peso apesar da pescada cozida, então não há nada a perder.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Pão, pão - manteiga, manteiga!

Fazer pão em casa geralmente é resultado de preguiça em sair para o ir comprar. Tenho até uma máquina de fazer pão, mas dá um certo gozo fazer tudo à mão. A maior parte das vezes nem uso receitas, as medidas fazem-se com três sentidos: visão, tacto, olfacto. Às vezes sai bem, outras nem por isso.

Para a passagem de ano fiz um pão com chouriço que saiu "assim-assim" porque errei redondamente na cozedura. Deixei a temperatura a 180º e não criou crosta. No dia seguinte, para provar a mim mesma que era capaz, fiz outros que ficaram perfeitinhos.

Metade farinha de trigo, metade farinha de milho, sal, orégãos, e umas 10 gramas de fermento seco que activei com água morna e açúcar. Para a forma ficar mais engraçada, fiz em caracol. E temperatura máxima.



Hoje fiz pela primeira vez o famoso no-knead bread. Não segui tudo à risca mas ficou como devia - delicioso (com a amiguinha manteiga a acompanhar) e muito barulhento!

  

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

So ist das Leben

Chegar a um sítio destes...

Mas a primeira fotografia tirada ser esta...

É capaz de ser prova de que dou demasiada importância a comida. Mas pronto, uma pessoa não vive só de Alpes e cheiro a campo - quando a comida (o estaladiço schnitzel com a fantasticamente temperada salada de batata e pepino) também tem bom aspecto e bom cheiro, ganha porque afecta mais um sentido.

domingo, 10 de março de 2013

Um lanche muito calórico, mas delicioso

Viciada como sou no Masterchef Australia (só mesmo o de Austrália - não há paciência para a arrogância e maldade barulhenta dos americanos... o de Portugal peca por alguma falta de naturalidade), vi um episódio da 1ª série em que Heston Blumenthal - o chef do Fat Duck - ensinava a fazer um hambúrguer com batatas fritas.

Obviamente, não poderia ser um hambúrguer normal com batatas normais. Fiquei a pensar nas batatas, uma vez que não vou nunca encontrar ou ter dinheiro para a carne usada nos hamburgueres... Depois de muitas experiências, Heston chegou à receita perfeita.

Fiz uma maionese que me deixou absolutamente exausta. Uma gema, mostarda, 150 ml de óleo e muita força de braços. Depois de finalizada a emulsão, pus no frigorífico para depois, na hora de servir, pôr uma pitada de sal, endro e pimenta. 


Cortei e cozi as batatas. Pus no congelador. Depois começou a parte complicada. Acertar nas temperaturas do óleo. Apesar de ter comprado um termómetro não contei com o problema de a temperatura do óleo baixar quando se adicionam as batatas, e é por isso possível que não tenham ficado tão estaladiças quanto se pretendia.

Primeira fritura a 130, cor pálida.

Segunda fritura a 180, alguma cor - talvez pudesse ter arriscado deixar mais tempo. Mas com a maionese estavam deliciosas. Um interior suave e um exterior estaladiço, com a intensidade da maionese caseira.

Para a próxima saem melhor ainda :)

sábado, 10 de novembro de 2012

The ultimate comfort food

Almoço no Nood - ramen, evidentemente. Quentinho, picante, com um franguinho suculento, vegetais fresquinhos...


Sobremesa espetacular na Eric Kayser - macaronade de pistacho e framboesas. O receio de se tornar demasiado doce não se confirmou. Estaladiço por fora, aveludado por dentro, doce. Um creme que suavizou a doçura do macaron. Amazing.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Gemelli

One word: overpriced.

Fui finalmente usar o meu cupão Groupon. A chegada não foi muito simpática, chovia, tocámos à campainha e, sem resposta, tocámos outra vez. Ao subir as escadas, um senhor acenou com a cabeça e esperou que eu falasse. Confirmou o nome e disse baixinho: "O cupão?" Levou-nos à mesa, puxou uma cadeira e apontou. Não pretendo fancy treatment mas um "Olá boa noite" ou um "Queiram acompanhar-me" era simpático. Fiquei com a sensação de que o senhor tinha ficado irritado porque não era função dele receber as pessoas, era da senhora que devia estar numa pequena pausa, e foi por isso com certeza que nem sequer se ofereceram para pendurar os nossos casacos. Avante.

"Grana Padano" para entreter o estômago com bom pão e muito bom queijo.

O chef ofereceu um amuse bouche muito interessante. Shot de espinafres e amêndoa e um croquete de porco com molho de cebolinho.

Eu escolhi o risotto de cogumelos e gambas. Era agradável. E "agradável" não é suficiente para um prato de 25 euros. Gambas algo farinhentas, sem aquele toque fresco e limpo, arroz com pouca densidade de sabor para além do queijo e dos cogumelos - deliciosos... Mas não surpreendeu.

O João comeu os cannelloni de massa preta recheados com batata doce e sapateira. Muito bom, massa fresca muito interessante. Falhou por lhe faltar ali um lombinho de sapateira - algo mais carnudo, não desfeito, que apresentasse a textura da sapateira não diluída na batata.

Felizmente ambas as sobremesas eram incríveis, o que salvou um pouco uma noite de expectativas deitadas por terra. "Key lime pie" para o João... Intenso, cremoso, base compacta mas não pesada.

Panna cotta de caril com molho de banana e terrina de chocolate preto. O puré de banana tinha mais qualquer coisa super interessante, a terrina era fantástica, aveludada e intensa, como um bom chocolate preto. Pintas de um molho de chocolate com uma acidez que me levou a crer ter uísque ou qualquer coisa do género. Sobremesa a um mini-mini-passo de ser extraordinária, faltando apenas um bocadito de nada de mais consistência.

Gostei? Sim. Valeu os 35 euros que paguei na Groupon? Sim. Valeu os 79 e picos euros que iríamos gastar se não tivéssemos o cupão? Nem por isso. É sempre triste quando um amuse bouche, pela sua criatividade e sabores, ultrapassa o prato principal.

"Café?"
"Não, obrigada. Era só a potencial conta."
Deixámos uns trocos, só porque o senhor entretanto ficou bem disposto com a resposta e brincou connosco por termos puxado da calculadora para ter a certeza de que não ultrapassavamos os 80 euros que o cupão valia.