domingo, 15 de agosto de 2010

Pastéis Mimosos... Diferentes

Já há muitos, muitos anos que tenho um livro com receitas deliciosas. Muitos doces conventuais. Muitas coisas que fazem mal!

Nesse livrinho "Coisas de Açúcar" do Manuel Luís Goucha – da altura em que ainda não era muito dado aos mexericos nem existia conceito de metrosexualidade – há uma receita muito simples e deliciosa… Pastéis Mimosos.

São docinhos que fazemos com mais frequência que os restantes que conhecemos, por serem tão fáceis de fazer. Desta vez acrescentei um ingrediente mágico. Ou melhor: dois!

200 gr. açúcar
50 gr. farinha
25 gr. margarina derretida
¼ Litro de leite
1 Ovo

Ingrediente mágico #1: essência de baunilha
Ingrediente mágico # 2: 4 quadrados de chocolate 74% cacau do Lidl (porque é bom e barato)

Fiz a massa normal + baunilha e distribui por 6 forminhas de uma forma de silicone (previamente untada) de 12 unidades. Depois acrescentei o chocolate derretido com um niquinho de manteiga (niquinho é o termo culinário técnico! :) ) ao resto da massa, varinha mágica para ficar bem misturado, e enchi as outras 6 forminhas.

Mas atenção que a massa de chocolate coze mais depressa do que a sem, por isso não é boa ideia misturar dois "sabores" numa só forma de silicone. Para a próxima já sei!

Ah, é verdade: é mesmo suposto ficar meio mal cozido… Após uns 20 minutos a 200 graus já devem estar bons. Se deixarem muito mais tempo arriscam-se a queimar a base.

Experimentem e digam qualquer coisa.
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terça-feira, 1 de junho de 2010

Chocolate de S. Tomé numa tarde de grande calor

Enquanto esperava pela hora do lançamento do livro O Sorriso da Lua na Universidade Aberta, sentei-me num banco debaixo da grande árvore do jardim do Príncipe Real e li muitas páginas de um livro que já devia ter lido há muito mais tempo. Protegida pela árvore, o sol aquecia-me aqui um bocadinho, ali outro, à medida que ia descendo com o passar dos minutos.

17.30, a meia hora do lançamento, vou descendo a Rua da Escola Politécnica e, sem hesitar, viro à esquerda para visitar a CLAUDIO CORALLO.

Sem querer gastar muito, e sabendo que os chocolates não são baratos, decido antes de entrar que vou só pedir um sorvete.

- Era um sorvete, se faz favor.

Enquanto a senhora prepara o sorvete, uma pequena bola cremosa e não muito doce de chocolate de S. Tomé e Príncipe, leio uma carta afixada na parede - um louvor de um representante do governo de S. Tomé. Bem merecida. Não se compra chocolate assim no supermercado... E eis que os meus olhos descem para o menu... E percorrem a montra, analisando as formas dos chocolates, as texturas, as etiquetas informativas. E antes de a senhora pousar o sorvete no balcão ouço a minha voz.

- E já agora uma barra de chocolate com laranja e outra com avelãs.

12 euros e trocos que desaparecerão em menos de dois dias.
Mas já devia saber que quando lá vou não consigo trazer só uma coisinha, não consigo comprar só um bombom com centro de gengibre ou um ganache.

Tenho dúvidas que seja um chocolate apreciado por todos. Aqueles que dizem "tens de provar este chocolate extraordinário, é cadbury" (sim ,essas pessoas existem, comprovo) ou que só ficam satisfeitos com uma overdose de açúcar dificilmente saberão apreciar este chocolate.

Desde o chocolate 100% ao chocolate com cristais de açúcar, até hoje tenho apenas uma sugestão para melhorar os chocolates Claudio Corallo: torrar as avelãs antes de as envolverem no chocolate. Acho que faria uma grande diferença.

E lá fui eu para a UAb, de sorvete na mão, retirando-o do recipiente com uma colher pequenina, nunca enchendo a colher para fazer o sorvete durar mais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Expectativas

Por vezes, quando um restaurante tem um certo aspecto e ambiente e as palavras no menu nos cantam ao palato, acabamos figurativamente estatelados no chão. Já me aconteceu inúmeras vezes mas hoje este sentimento viu a luz do dia e por isso é que estou aqui sentada, a teclar enquanto afogo a desilusão num caseiro bolo de chocolate com amência moída, muito pouco trigo, e alguns pistachos. Mas esta receita fica para outra altura.

Reconheço a minha reconhecida falta de paciência e por isso admito que me tenha talvez precipitado em sair dos Tibetanos sem almoçar porque me fizeram esperar 10 minutos e depois sentaram antes de mim um casal amigo que tinha acabado de chegar, e que eu ouvi dizer (não sou cusca, mas o espaço é pequeno e não tinha como não ouvir) não terem reserva. Foi a primeira desilusão da hora de almoço, os Tibetanos, com o Dalai Lama ali a olhar para nós, sereno, e certamente a reprovar de forma afável a injustiça de que eu estava a ser alvo.

Talvez eu devesse ter prolongado a minha observação da fotografia do Dalai Lama, e lembrar-me dos seus ensinamentos sobre a paciência, porque foi karma eu ter pago 9 euros para almoçar assim-assim num restaurante ali não muito longe, em vez de gastar 9 euros para almoçar incrivelmente bem, como almoço sempre, nos Tibetanos. E saudável.

Fui andando, andando pela Barata Salgueiro, vi a Emporio Armani com uma promoção qualquer que sei que por mais tentativas faça nunca aproveito porque, raios, não vou dar 150 euros por um par de calças que está com desconto de 50%, e desci mais um pouco. Ah, lá está o café/restaurante SMarta com refeições tugas baratinhas... Mas a minha necessidade de comer em sítios bonitos congelou-me à beira da passadeira e dei por mim a entrar, como se estivesse enfeitiçada, no Chutney's Bistro.

Diga-se que já comi muito bem no Chutney's, restaurante do Hotel Lisboa. Decidi, aventureira, experimentar algo diferente. Galinha Tandoori Burger. Soa bem, não soa? Tipo junk food avançada - que satisfaz aquela necessidade inexplicável de comer coisas que façam mal, mas que agrade à vista e traga algo de diferente ao paladar.

O prato tinha muito bom aspecto, mas apercebi-me no primeiro segundo que o pão não era nada de jeito. As batatas fritas eram boas, embora claramente congeladas. A salada era normal, mas o toque da amêndoa laminada e de sésamo no topo conferiu ao prato uma certa graça. Mas a galinha era dura, o pão pouco fresco e pouco saboroso. Os molhos eram muito bons, mas o molho sozinho sente-se abandonado.

Não fiquei absolutamente desiludida, mas ter de usar fio dentário depois de uma refeição de galinha não é coisa que fique positivamente na memória.

Tal como as miúdas que se apaixonam por um homem bonito e assim permanecem até ao dia em que de facto o conhecem e ele abre a boca, caiu-me tudo. Se calhar devia ter esperado mais um bocadinho, só mais um bocadinho, e a senhora nos Tibetanos acabava o café e dava-me lugar.

sábado, 17 de abril de 2010

Tarte de Ruibarbo e Morango

Ontem, numa expedição ao El Corte Ingles em busca de massa de arroz (que não encontrei!!!) deparei-me com uma planta muito cultivada em Inglaterra. O ruibarbo, longo e rosa, fez-me lembrar uma receita que vi a Nigella Lawson fazer no outro dia no programa que passa na Sic Mulher. A Nigella, para mim, é uma espécie de versão actualizada e sexy das famosas Clarissa Dickson Wright e Jennifer Paterson do programa "Two Fat Ladies" - aquelas unhas vermelhas cravadas na carne nunca me sairão cabeça. Assim como a receita estranhíssima que disseram ter aprendido em Portugal de pastéis de bacalhau, que ficou enterrado em salsa e vinho do porto (!). A Nigella faz-me lembrar as senhoras gordas porque não quer saber da saúde para nada - ela cozinha o que bem lhe apetece, só se interessa pelo sabor, e se isso significar que precisa de um quilo inteiro de margarina para o lombo ficar tenro e delicioso, then so be it!

Ora, lá fui eu googlar a receita da Nigella. Mas os comentários que li não eram muito simpáticos - parece que a massa ficava muito ensopada - e, de qualquer modo, como eu não tinha moscatel resolvi procurar outra receita. Ah ha, mas lembrei-me que a Cindy Crawford foi à Oprah e mostrou como fazer uma tarte de ruibarbo e morango. A mistura agradou-me, por isso alterei a missão de busca e degustação.

Resolvi usar uma das receitas de massa areada do meu estimado Pantagruel para não falhar (tendo, ainda sim, alterado um pouco a mesma adicionando água para a massa ficar estendível por oposição a somente espalmável, e segui a receita da Cindy para o recheio, ignorando a manteiga e o leite.

O resultado final foi muito bom, tive mais três bocas adultas e uma jovem para testar.


Massa 3944 do Pantagruel - Massa areada à portuguesa com margarina
- 1/2 kg farinha
- 125 gr açúcar
- 125 gr margarina
- 1 ovo ligeiramente batido
- 1/8 de colher de café de sal (que é como quem diz: pitada)

- E adicionei umas 4 colheres de sopa de água gelada


Recheio da Cindy, que fanou de uma revista qualquer, vide http://www.oprah.com/food/Cindy-Crawfords-Strawberry-Rhubarb-Pie
1 1/4 cups plus 2 teaspoons sugar (250 gr açúcar)
1/3 cup all-purpose flour (50 gr farinha)
1/4 teaspoon nutmeg (pitada de noz moscada)
1/4 teaspoon cinnamon (pitada de canela)
3 cups halved strawberries (na realidade pus menos que ruibarbo, era o que tinha!)
2 cups thinly sliced rhubarb (comprei uma embalagem de 750gr, cortei as zonas mais perto das folhas porque são tóxicas e tirei alguma pele rosa)
2 tablespoons butter , cut up (não usei)
2 teaspoons milk (não usei)

Convém fazer o recheio e deixá-lo repousar meia horinha porque sai imenso líquido dos morangos e das hastes de ruibarbo. Talvez funcione melhor usar farinha maizena em vez da de trigo normal para engrossar mais... Will try!

Mesmo com esta meia hora de espera e depois dos 40 minutos no forno a 180 graus + quase 1 hora de arrefecimento, a tarte tinha demasiado líquido, por isso inclinei a forma um bocadinho e despejei o excesso no lava-loiças.

Comi logo duas fatias... Já me sinto mais britânica e tudo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Eufemismos culinários

Talvez por ser uma mulher de letras, cada vez que pego num menu de restaurante reparo nos erros de ortografia. É um exercício particularmente divertido em restaurantes chineses.

Em duas recentes expedições deparei-me com algo que - não sei se por distracção, inexistência de, ou outro - nunca tinha reparado. Uma espécie de eufemismo culinário.

Tal como os "contínuos" passaram a ser "auxiliares de acção educativa", muitos restaurantes optaram por dramatizar e embelezar os nomes dos pratos que servem. Na realidade, o grau de pré-satisfação do cliente é superior à utilização da palavra antiga, não-polida. O prato parece mais apetitoso, o restaurante deixa de ser "tasca" e passa a ser "rústico", o cliente sente que o seu dinheiro vale mais porque, afinal, está a comprar um produto claramente gourmet. O restaurante pode até cobrar mais por um prato só alterando o nome.

Exemplo nº 1: Cervejaria Lusitana
Nome do prato: Gratinado de batata recheado com vitela picada
Também conhecido como: Empadão
Preço do empadão na tasca: 5 EUR
Preço do empadão com nome especial no restaurante rústico: 10 EUR

Exemplo nº2: Restaurante Japonês Suntory
Nome do prato: Tempura de gelado
Também conhecido como: Gelado frito
Preço da sobremesa no chinês/japonês da esquina: 2,5 EUR
Preço da sobremesa no japonês de classe alta: 5 EUR

Não me estou a queixar... Aliás assim até providenciam bom entretenimento. Tenho de deixar uma boa "gorja" (na acepcção de "gorjeta", ainda não aceite pela academia)... Que é como quem diz: atribuir um prémio de produtividade ao especialista em logística de alimentos e atendimento ao cliente.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Blasfémia: uma sobremesa favorita que não tem chocolate

Eu sou a mulher do chocolate - nunca neguei, não nego, não vou negar. Sou assim e nota-se bem nas minhas ancas.
Mas há uma sobremesa que me deixa fora de mim e não resisto em escolhê-la mesmo quando há dúzias de outras opções com chocolate.

TARTE MERENGADA DE LIMÃO

Até merece ser escrita em parágrafo isolado e em maiúsculas. Porque quando me sento à mesa e escolho o prato principal dou logo uma vista de olhos às sobremesas. E, já agora, não gosto nada da mania dos menus separados - um para entradas e pratos, outro para bebidas, outro para sobremesas. O que é isto?? Eu quero saber se há sobremesas que valham a pena para poder enfardar-me à vontade ou não com o prato principal conforme a escolha!!

Olho para as sobremesas. Mousse de chocolate? I'm done tasting those. Chiffon de chocolate? E um bocadinho de imaginação, não há?
Não havendo opções criativas, diferentes do habitual, escolho algo com chocolate. A menos que haja tarte merengada de limão. Não me interessa que haja uma sopa de frutos vermelhos sobre gelado de nata. Não me interessa que o brownie tenha frutos secos. Quero a tarte.

Mas nem sempre corre bem. Já me aconteceu dar a primeira garfada e pensar: foi nisto que desperdícei as calorias reservadas à sobremesa?
Aqui entre nós, isto aconteceu-me no Campagnia, que adoro. Mas aquela tarte deprimiu-me.

Já comi muitas tartes merengadas de limão nas minhas expedições. Não sei dizer se por a memória ser recente, se por a companhia ter complementado o sabor, se por outro motivo. Mas a tarte que comi sábado no Magnolia do Campo Pequeno era delicioso. O toque certo de limão, o toque certo de açúcar, uma base consistente mas não paposa nem enjoativa, e um merengue denso, firme, ligeiramente tostado mas que não se sobrepôs ao limão.

Havia tarte merengada de morango. Tarte de chocolate.
Não quero saber. Foi como um bom par de sapatos altos: amor à primeira vista. Worth every cent.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Starbucks no Allegro

O Starbucks abriu ontem no centro comercial Allegro (Alfragide). Aproveitei o facto de ter de ir fazer compras para provar J
Primeiras impressões…

1. Serviço desorganizado: eu sei que foi o primeiro dia, e naturalmente haveria uma grande fila de espera. Não me queixo, não esperei assim tanto (a fila ainda estava dentro do café quando lá cheguei – por oposição a estar já bem fora do café quando saí). Mas causa-me alguma confusão não servirem os pedidos por ordem de chegada e pedirem o nome das pessoas para escrever no copo. E acho que se enganaram no nosso pedido, servindo um tamanho diferente do já pago… Mas ninguém tem cabeça para reclamar depois da espera e na confusão da multidãozita.

[Grito da Senhora do Lado de Lá do Balcão] Sara! Aqui está o seu capuccino.
[Sara, Que Possivelmente Não Queria Que Uma Cambada de Desconhecidos Soubessem Como Se Chamava] Falta o chocolate quente.
[Senhora do Starbucks com um Sotaque Algo A-Espanholado] Ah… [2 Minutos Depois] Aqui está, obrigada, boa noite… [Grito] Filipe! [Que foi servido antes da Maria, da Ana e da Paula, que chegaram primeiro.]

2. Produtos de grande qualidade: Frapuccino muito agradável, diferente do que é servido nos outros coffee-shops que conheço em Lisboa. Bolacha com Pepitas de Chocolate fantástica! Bem gostava de sacar aquela receita de algum lado. A massa não é seca ou dura como as que se costumam provar em Portugal. É mais "gooey". Não quero pensar nas calorias que ingeri em menos de 10 minutos.

3. Preços demasiado elevados: Eu sei que têm a marca a defender – não é um coffee-shop qualquer, é o Starbucks!! Mas pagar mais de 9 euros por dois frapuccinos médios e uma bolacha acho demais. Dizem-me que nem em Espanha é tão caro.

É um bom sítio para um mimo. Mas acho que não volto tão cedo – porque não vale a pena lá ir para beber um simples café, que mesmo assim ultrapassa e bem o preço habitual.

SUGESTÃO DE SAÍDA AMERICANA no Allegro: Ir ao Foster's Hollywood, comer ribs, e acabar com a sobremesa e o café no Starbucks…
Hummmmmm….